segunda-feira, 2 de julho de 2012

Mar de Saudade

Fotografia: Mariajoao
Praia de Faro

















Sabe a saudade o que o coração espera
sonho e desvario como erva fresca,
voa alto e deixa de avistar-se no horizonte,
uma linha branca intensa queima os olhos.

Sonho meu, o coração espera
late devagar, devagar e para,
num segundo a vida foge de mim e eleva,
olha para este corpo,
as lágrimas secas deram ao mar o sal da vida.

Mar dos tormentos de quem vive só,
partilha um mundo que só tem por dentro,
ninguém quer remar em águas turbulentas
e ao cair a noite, cai a saudade.

Morre o desejo, o coração para
e misturam-se os sonhos ao acordar
e adormece a saudade ao despertar.


Mariajoao em 20 de Abril de 2012.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

O nosso:"Um mosquito esquisitinho"

Livro para crianças entre os 6 e os 9 anos de idade. Para além dos contos cheios de aventuras mágicas, travessuras e doçuras, tem ainda desenhos para colorir e espaços para que as crianças possam ter a sua intervenção no livro.
Esta obra resultou de uma Oficina de Escrita Criativa desenvolvida por Luísa Monteiro na Biblioteca António Ramos Rosa, em Faro. A autoria é de 10 escritores de Faro e conta com a ilustração de Rui Silva.
Peça já o seu exemplar antes que esgote. Os pedidos podem ser feitos para: redil.editora@gmail.pt

terça-feira, 10 de abril de 2012

Migalhas

senhoritaraiazac.wordpress.com

Em silêncio olho o mundo 
brindo a dois o desengano,
quando a vida passa ao lado
ousando viver por ti.

Em silêncio ouço a voz
de quem fala sem ouvir,
as vozes que são queixumes
e calo por não sentir.

Em silêncio sinto o toque
e o brinde de uma carícia,
pousando suave e fugaz
e sinto por não fugir.

Vivo a vida com prazer
sem o prazer das lembranças,
migalhas do amor perdido
e espero por não morrer.

Migalhas que enchem o amor,
sentir de um triste lamento,
migalhas de ti, sabem a pouco,
doce e amargo é deste tempo.
Mariajoao 09/04/2012 



sexta-feira, 30 de março de 2012

Caracóis de Sonhos



Devagar trepa a folha longa, com a sua concha redonda, perfeita!
Tem apenas aquele objetivo, por agora…
Uma tarde imensa chega para aquele fim.
Ao lado, passa alguém muito apressado
Aquela tarde é pequena para ali.
E de redes e cordas nos unimos de compromissos.
Os dias fogem, os anos correm e a vida abrevia,
Na pressa de querer, no egoísmo de ter, na força de ir.
A concha redonda agora desce a longa folha
Atrás de si deixa um brilho do prazer que foi aquele momento.
Ao lado, um rosto amarrotado sonha com saudade daquilo que não fez
Agora com tempo observa a beleza da concha perfeita.

Identidade



Ser é uma questão difícil de refletir, sentido da vida tão ambíguo,
Tão triste e malfadado, maltratado pela existência.
Impõe a alegria como sentido, amar como destino, fado como lamurio.
A minha alma é lusitana de tristeza,
Descende de ricos patrimónios de descobertas.
Sou a luz da esperança, porque sonho e crio o meu destino.
Sou a imensidão do horizonte, porque sei que sou imenso.
O mar é a minha alma, tão grande, volátil e ensejo,
Tão forte e quebrável na areia, que é o meu estar.
Sou as formas, que querem que seja, sou a luz que ilumina os que me seguem,
Sou a força que impõe o meu ser.
A estrela guia do sentido da vida, mas quero ser eu e não consigo.

Enigma



Depois de ouvir os ensinamentos, descobri o que era viver,
Neste mundo vazio de pensamentos, regras e desígnios.
Se vou para a esquerda olham e tropeçam,
Se à direita encontro o dom da vida, a crítica atormenta.
Quero ser feliz, mas não sou capaz.
Olho o céu em busca de uma esperança.
O céu responde-me:
Vai! Segue a energia! Muda… a vida não te quer aqui.
Busca o teu eu, afasta o que és.
Sei o que quero, que está fora de mim,
Mas… eu quero ser feliz! Poço?
Não! Porque isso é muito forte. Saí!

Rumos



Adeus! Foi a palavra mais lilás que proferimos na despida,
Um bege que imortalizou um momento de união,
Rosa de amor e descoberta.
Gostava de vestir o verde dos campos e o castanho da terra,
Ter a esperança da imensidão do azul do mar.
Olhar o horizonte branco e sentir o descampado das emoções.
Sentir o que experimento no encarnado desejo.
Transmitir a vastidão das descobertas como o amarelo da luz,
Da vida, no pranto do meu incolor sentir.
Gostava apenas de ser feliz como o pássaro que voa cinzento de liberdade;
Independência de ação como o branco da folha,
Que cai da árvore da vida azul escura, incógnita.

terça-feira, 27 de março de 2012

Canta-me Uma Canção



http://gorpacult.blogspot.pt/2012/03/musica-alem-da-partitura.html















Uma melodia espera por nós
é a fantasia de quem quer o amor
como nota musical que se estende em do maior
é o maior dos sonhos meus.

Melodia que começa com um acorde suave e subtil
faz vibrar o nosso templo e a destempo me sorri
som que toca até o infinito e que chega ao coração
ainda ouço a tua voz dentro de mim.

Canta-me suavemente ao som dos meus sonhos
uma canção de amor que fale por ti
canta-me uma doce melodia
que faça viver a mulher que há em mim.

Canta-me em clave de sol
para não arrefecer o coração,
canta-me com as notas ao vento
que soprem mais além do pensamento
e transmitam esse sentimento
que te faz abraçar a vida

Canta-me uma melodia capaz de
parar o tempo e o momento de amar a tempo,
melodia de uma sinfonia de um amor
que vai e vem ao som do querer.

Mariajoao 21/08/2011.

Retalhos de Paixão

Quadro pintado a óleo por Mariajoao nas aulas da Provectus.

Às vezes tenho saudades,
do tempo que não vivi...
das pessoas que não conheci,
dos amores que não encontrei...

A vida que vivi às vezes...
passou das vezes que a vivi!
Com os olhos da primavera,
que pousou ao pé de mim...

Às vezes tenho saudades,
do teu olhar calmo e sereno...
da tua voz carinhosa,
do teu abraço tão forte...

Da terra molhada em lágrimas...
do corpo molhado em suor...
De um dia de céu azul!
De uma noite calma e serena...

Às vezes tenho saudades,
desses retalhos de paixão...
paixão vivida aos retalhos,
cada uma da sua cor...

Retalhos que são os amores
de uma sinfonia incompleta.
Retalhos que nada são...
mas juntam tudo o que eu sou...


Maria João FS.
04/02/2012