sexta-feira, 28 de setembro de 2012
O poder dos livros
Dizem que uma imagem vale por mil palavras, pois esta certamente vale por 1001!
Os livros têm o poder de nos transportar para locais onde nunca pisámos e fazem-nos sentir como se lá tivéssemos vivido a nossa vida inteira.
Calçamos os sapatos de cristal ou as botas de borracha das nossas personagens mais queridas e aí vamos nós a cavalgar ou a correr por palavras e linhas e páginas de distância.
Às vezes chegamos ao destino com um sorriso no rosto, outras vezes perdemos alguém pelo caminho e o final não é tão feliz como gostaríamos...
A cada página abrimos sem medo uma nova porta sem saber quem ou o que nos espera do outro lado... É esse mistério que torna os livros tão apaixonantes!
sábado, 1 de setembro de 2012
Final de Festa
Uma vista de olhos pelo salão: a mesa desarrumada, a loiça por lavar. Vestígios de um tempo de convívio; breve e curto -mas intenso. No ar ainda fica o perfume da noite, suave e delicado que acaricia o rosto com prazer...com o cálido prazer que percorre os sentidos...lentamente, na penumbra, à luz do farol; fecha os olhos: o calor chega até aos ossos. Foi assim que entrou o amor, não esperou saber a resposta (bastou sentir); um dia entrou: nem bateu à porta!
-Eu te conheço, sei quem és, cresces-te comigo!!!
Lembrei-me: fiquei calada! O silêncio diz muito, quando não se quer ir mais além do permitido...
-Sei, sim! Há tanto tempo não sei de ti.
O mar separa o tempo -uma barreira imaginária-, até parecia que ele era de outra galáxia! Nem sei como reagi...fiquei só a escutar. Devagar deixei passar por mim um banho de emoções.
Como não lembrar-me das festas amenas: todos à mesa; todos na brincadeira! E eu observando tudo...
Como não lembrar-me das festas amenas: todos à mesa; todos na brincadeira! E eu observando tudo...
Os seus olhos abriram-se, viu-me, eu estou aqui à distância do tempo; a encurtar o caminho; a tentar viver e sentir; a salvar a minha pele.
-Dá-me um abraço, sim e fala-me de ti! Se nesse tempo todo a vida te sorriu? Se nesse tempo todo a vida te virou as costas?
E num instante surgiu à minha mente aqueles momentos cruciais: um; dois; três. É o segundo de três; fala de tudo sem parar. A vida parou -no tempo em que os sonhos se perderam-, depois recomeça ao virar da esquina no reencontro desse tempo; tempo de pensar que existo e que por isso a vida é bela.
-O que é feito da tua vida?
-O que a vida fez de mim!
Brindemos pela vida -que nos leva pela mão-, pensamos nós cumprir uma metas e obter o trunfo desejado, mas a vida, que é sábia, segue o rumo do horizonte: deixando sinais para quem os souber ler.
Toca uma valsa devagar, já não está ninguém, todos saíram! As gargalhadas ficaram no espaço, um a um os convidados se despedem, os anfitriões estão cansados. A música no fim...quando todos saíram: ficamos nós a dançar essa valsa!
O Danúbio de nós os dois, o Azul fica mais escuro, cada nota musical regala a sua harmonia; não há ninguém a espreitar: a sala ficou maior...uma dança com prazer; um sorriso de querer. Que importa se é final de festa! Que não haja nada para comer! Que importa que todos nos deixem...tu e eu já somos dois, dançamos ao mesmo som, cada um como quiser, ninguém repara se está mal. O mal afasta o prazer; o querer vence o medo, medo deste final, que pode ser só o começo de um conto de fadas.
Maria João FS.
23 de Agosto de 2012.
Maria João FS.
23 de Agosto de 2012.
domingo, 19 de agosto de 2012
Luisinho e Luisão
- Ei, ei! Cuidadinho aí com as voltas. Calma, calma. Devagarinho. Ufa! Até fiquei transpirado. Olá Luisinho isto hoje está uma loucura, ainda venho tonto.
- Olá Luisão. Eu até gosto do disco voador. Não me queixo.
- Não, não, eu não me queixo, este fulano é que não sabe o que faz. Mas conta-me lá, como vai a noite? Quantas rodadas?
- Duas. Esta é a terceira.
- Pois... com vocês, rodas baixas, é diferente. Saem menos. Levam mais tempo na mão dos clientes. Mais um whisky on the lock?
- On the rocks?...
- Sim, sim, isso. On the rocks. Rock and rol mas devagarinho. Já eu... Como é que eu hei-de dizer? Sou mais requisitado pelas miúdas. Sou irresistível. Que é que eu hei-de fazer?
- Sim Luisinho, suponho que sejas.
- Elas gostam de mim. Hihihi. Não me posso queixar. Eu também gosto delas. Olha, olha, aí vem ela outra vez. Ai estes lábios! Até me fazem tremer.
- Estás bem?
- Ai se estou bem. Até fiquei transpirado. Tinha um cheirinho a cereja. Aqueles glosses que elas usam agora.
- Hum, hum...
- Pois. Tu não deves saber como é. A ti só te devem calhar bigodes, não?
- Sim, há alguns bigodes. E daí? Eu gosto. Fazem-me cócegas. E os meus clientes são mais pacientes. Sinto que eles olham mesmo para dentro de mim. Andam comigo às voltas. às vezes até falam comigo. Contam-me como foi o dia. Se discutiram com o chefe ou se a patroa está zangada com eles.
- Ó pá, mas isso deve ser cá uma seca. Sempre os mesmos clientes.
- Mas são certinhos. E com esta crise temos de pensar na segurança. Com tantos sítios novos a abrir há menos clientes. Parece que o que está a dar são clubes escuros com música estranha.
- Oh sim, também ouvi falar desses clubes. São só miúdas a entrar! Quem me dera lá ir.
- Mas contaram-me que eles substituem os copos por copos de plástico porque os miúdos partem tudo na pista de dança. Eu não quero ser aposentado e ir para a um armazém cheio de tralha.
- Pois, fazes bem em preocupar-te amigo mas eu... com a rodagem que eu tenho. Hoje já vou na sétima. Sete! A mim ninguém me pára. Olha, aí vem o tipo outra vez. mais uma rodada, mais uma voltinha no carrossel. É hoje que eu bato o recorde.
- Tchau Luisinho. Gostei de falar contigo.
- Ah!... Agora banhinho. Isso, isso, mais espuma. Lindo! Esfrega mais abaixo. Vá, não sejas tímida, só um bocadinho mais fundo. Aí, aí! Ahhhh! Essas mãos Telma. Depois de passar por sete bocas, só tu é que me fazias isto.
- Olá Luisão. Eu até gosto do disco voador. Não me queixo.
- Não, não, eu não me queixo, este fulano é que não sabe o que faz. Mas conta-me lá, como vai a noite? Quantas rodadas?
- Duas. Esta é a terceira.
- Pois... com vocês, rodas baixas, é diferente. Saem menos. Levam mais tempo na mão dos clientes. Mais um whisky on the lock?
- On the rocks?...
- Sim, sim, isso. On the rocks. Rock and rol mas devagarinho. Já eu... Como é que eu hei-de dizer? Sou mais requisitado pelas miúdas. Sou irresistível. Que é que eu hei-de fazer?
- Sim Luisinho, suponho que sejas.
- Elas gostam de mim. Hihihi. Não me posso queixar. Eu também gosto delas. Olha, olha, aí vem ela outra vez. Ai estes lábios! Até me fazem tremer.
- Estás bem?
- Ai se estou bem. Até fiquei transpirado. Tinha um cheirinho a cereja. Aqueles glosses que elas usam agora.
- Hum, hum...
- Pois. Tu não deves saber como é. A ti só te devem calhar bigodes, não?
- Sim, há alguns bigodes. E daí? Eu gosto. Fazem-me cócegas. E os meus clientes são mais pacientes. Sinto que eles olham mesmo para dentro de mim. Andam comigo às voltas. às vezes até falam comigo. Contam-me como foi o dia. Se discutiram com o chefe ou se a patroa está zangada com eles.
- Ó pá, mas isso deve ser cá uma seca. Sempre os mesmos clientes.
- Mas são certinhos. E com esta crise temos de pensar na segurança. Com tantos sítios novos a abrir há menos clientes. Parece que o que está a dar são clubes escuros com música estranha.
- Oh sim, também ouvi falar desses clubes. São só miúdas a entrar! Quem me dera lá ir.
- Mas contaram-me que eles substituem os copos por copos de plástico porque os miúdos partem tudo na pista de dança. Eu não quero ser aposentado e ir para a um armazém cheio de tralha.
- Pois, fazes bem em preocupar-te amigo mas eu... com a rodagem que eu tenho. Hoje já vou na sétima. Sete! A mim ninguém me pára. Olha, aí vem o tipo outra vez. mais uma rodada, mais uma voltinha no carrossel. É hoje que eu bato o recorde.
- Tchau Luisinho. Gostei de falar contigo.
- Ah!... Agora banhinho. Isso, isso, mais espuma. Lindo! Esfrega mais abaixo. Vá, não sejas tímida, só um bocadinho mais fundo. Aí, aí! Ahhhh! Essas mãos Telma. Depois de passar por sete bocas, só tu é que me fazias isto.
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
O Pisco do Bosque
Era dia de conversa, o bosque estava
agitado. Num ramo de pinheiro, o corvo e
o gaio , falavam lado a lado. O pequeno passarinho, não parou para falar, bateu
as suas asas e continuou a voar.
Era dia de festa, o bosque estava
animado. Junto à toca do Esquilo, a Raposa e o Lobo cantavam um fado. O pequeno
passarinho, não parou para cantar, bateu as suas asas e continuou a voar.
Era dia de banquete, o bosque estava
esfomeado. Na clareira iluminada, os esquilo comia consolado. O pequeno
passarinho não parou para petiscar, bateu as suas asas e continuou a voar.
Era dia de brincadeira, o bosque estava
cansado. No ninho fofinho, o pisco bebé dormia aconchegado. O pequeno passarinho não parou para
descansar, bateu as suas asas e continuou a voar.
Chegou à casa do João. Poisou no
peitoral, bateu com o bico na vidraça e pediu para entrar.
O João alegrou-se, começou a assobiar, tinha um bom amigo
passarinho que o vinha visitar!
O Pisco abriu o bico, e começou a falar:
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Mar de Saudade
| Praia de Faro |
sonho e desvario como erva fresca,
voa alto e deixa de avistar-se no horizonte,
uma linha branca intensa queima os olhos.
Sonho meu, o coração espera
late devagar, devagar e para,
num segundo a vida foge de mim e eleva,
olha para este corpo,
as lágrimas secas deram ao mar o sal da vida.
Mar dos tormentos de quem vive só,
partilha um mundo que só tem por dentro,
ninguém quer remar em águas turbulentas
e ao cair a noite, cai a saudade.
Morre o desejo, o coração para
e misturam-se os sonhos ao acordar
e adormece a saudade ao despertar.
Mariajoao em 20 de Abril de 2012.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
O nosso:"Um mosquito esquisitinho"
Livro para crianças entre os 6 e os 9 anos de idade. Para além dos contos cheios de aventuras mágicas, travessuras e doçuras, tem ainda desenhos para colorir e espaços para que as crianças possam ter a sua intervenção no livro.
Esta obra resultou de uma Oficina de Escrita Criativa desenvolvida por Luísa Monteiro na Biblioteca António Ramos Rosa, em Faro. A autoria é de 10 escritores de Faro e conta com a ilustração de Rui Silva.
Peça já o seu exemplar antes que esgote. Os pedidos podem ser feitos para: redil.editora@gmail.pt
Esta obra resultou de uma Oficina de Escrita Criativa desenvolvida por Luísa Monteiro na Biblioteca António Ramos Rosa, em Faro. A autoria é de 10 escritores de Faro e conta com a ilustração de Rui Silva.
Peça já o seu exemplar antes que esgote. Os pedidos podem ser feitos para: redil.editora@gmail.pt
terça-feira, 10 de abril de 2012
Migalhas
senhoritaraiazac.wordpress.com
Em silêncio olho o mundobrindo a dois o desengano,quando a vida passa ao ladoousando viver por ti.Em silêncio ouço a vozde quem fala sem ouvir,as vozes que são queixumese calo por não sentir.Em silêncio sinto o toquee o brinde de uma carícia,pousando suave e fugaze sinto por não fugir.Vivo a vida com prazersem o prazer das lembranças,migalhas do amor perdidoe espero por não morrer.Migalhas que enchem o amor,sentir de um triste lamento,migalhas de ti, sabem a pouco,doce e amargo é deste tempo.
Mariajoao 09/04/2012
sexta-feira, 30 de março de 2012
Caracóis de Sonhos
Devagar trepa a folha longa, com a sua concha redonda, perfeita!
Tem apenas aquele objetivo, por agora…
Uma tarde imensa chega para aquele fim.
Ao lado, passa alguém muito apressado
Aquela tarde é pequena para ali.
E de redes e cordas nos unimos de compromissos.
Os dias fogem, os anos correm e a vida abrevia,
Na pressa de querer, no egoísmo de ter, na força de ir.
A concha redonda agora desce a longa folha
Atrás de si deixa um brilho do prazer que foi aquele momento.
Ao lado, um rosto amarrotado sonha com saudade daquilo que não fez
Agora com tempo observa a beleza da concha perfeita.
Tem apenas aquele objetivo, por agora…
Uma tarde imensa chega para aquele fim.
Ao lado, passa alguém muito apressado
Aquela tarde é pequena para ali.
E de redes e cordas nos unimos de compromissos.
Os dias fogem, os anos correm e a vida abrevia,
Na pressa de querer, no egoísmo de ter, na força de ir.
A concha redonda agora desce a longa folha
Atrás de si deixa um brilho do prazer que foi aquele momento.
Ao lado, um rosto amarrotado sonha com saudade daquilo que não fez
Agora com tempo observa a beleza da concha perfeita.
Identidade
Ser é uma questão difícil de refletir, sentido da vida tão ambíguo,
Tão triste e malfadado, maltratado pela existência.
Impõe a alegria como sentido, amar como destino, fado como lamurio.
A minha alma é lusitana de tristeza,
Descende de ricos patrimónios de descobertas.
Sou a luz da esperança, porque sonho e crio o meu destino.
Sou a imensidão do horizonte, porque sei que sou imenso.
O mar é a minha alma, tão grande, volátil e ensejo,
Tão forte e quebrável na areia, que é o meu estar.
Sou as formas, que querem que seja, sou a luz que ilumina os que me seguem,
Sou a força que impõe o meu ser.
A estrela guia do sentido da vida, mas quero ser eu e não consigo.
Tão triste e malfadado, maltratado pela existência.
Impõe a alegria como sentido, amar como destino, fado como lamurio.
A minha alma é lusitana de tristeza,
Descende de ricos patrimónios de descobertas.
Sou a luz da esperança, porque sonho e crio o meu destino.
Sou a imensidão do horizonte, porque sei que sou imenso.
O mar é a minha alma, tão grande, volátil e ensejo,
Tão forte e quebrável na areia, que é o meu estar.
Sou as formas, que querem que seja, sou a luz que ilumina os que me seguem,
Sou a força que impõe o meu ser.
A estrela guia do sentido da vida, mas quero ser eu e não consigo.
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